Génoise au chocolat montée à la crème végétale et à la ganache.

Que bebida vegetal usar na pastelaria?

A soja faz um creme ganhar consistência, a aveia dá um bolo fofo, a amêndoa quase nada faz. No forno, são as proteínas e a gordura indicadas no verso da embalagem que decidem o resultado, não a palavra « vegetal » impressa na frente. Resta saber qual abrir consoante o que vai preparar.

O que realmente muda de uma embalagem para outra

Três números bastam para prever o comportamento de uma bebida vegetal na pastelaria. As proteínas dão consistência e cor: são elas que fazem um creme ganhar firmeza e uma superfície dourar. A gordura dá maciez e retarda o endurecimento do miolo sem glúten, que seca depressa. Já os açúcares dão cor.

O leite de vaca gordo fornece cerca de 3,4 g de proteínas e 3,5 g de gordura por 100 ml. A soja aproxima-se destes valores. As restantes bebidas são sobretudo água: uma bebida de amêndoa contém frequentemente 2 a 4 % de amêndoas, sendo o resto água e um emulsionante.

Uma regra antes de todas as outras: escolha as versões sem açúcar e sem aromas. Uma embalagem açucarada com aroma de baunilha desequilibra uma massa já doseada ao grama. As restantes escolhas básicas estão reunidas nas nossas cinco regras da pastelaria sem glúten.

Bebida (100 ml)ProteínasGorduraOnde funciona melhor
Soja natural3 a 3,5 g1,8 a 2 gCremes, pudins, preparados que precisam de ganhar firmeza
Aveia0,5 a 1 g0,5 a 1,5 g (3 g na versão barista)Bolos, bolos de forma, massas lêvedas
Amêndoa0,4 a 0,5 g1 a 1,5 gMassas de crepes, muffins, nada que exija estrutura
Arroz0,1 a 0,3 gcerca de 1 gRecurso de emergência, fornece açúcar e pouco mais
Coco (lata com teor integral de gordura)1 a 2 g17 a 22 gGanaches, pudins ricos, natas batidas

Estes valores são aproximados. Cada marca tem a sua fórmula, e o rótulo no verso da embalagem continua a ser a única referência válida.

Natas vegetais vertidas num tacho no final da cozedura
Natas vegetais adicionadas a um preparado quente: quanto maior o teor de gordura, menor o risco de talharem.

Bolos fofos: escolha a versão barista

A menção « barista » não se destina apenas ao café. Estas embalagens contêm gordura adicionada, cerca de 3 g por 100 ml contra 0,5 a 1,5 g na versão clássica, além de sais estabilizadores que impedem que talhem com o calor ou em contacto com um ácido.

Numa massa de bolo, esta gordura faz o trabalho do leite gordo: envolve os amidos, retém a água e mantém o miolo macio no dia seguinte. Num pão de ló sem glúten, que seca em vinte e quatro horas, a diferença nota-se logo no segundo dia. Utilizo-a tal e qual no pão de ló de chocolate sem glúten, substituindo ao grama e não por volume, uma vez que nem todas as bebidas têm a mesma densidade (ver porque é que a balança faz toda a diferença na pastelaria sem glúten).

A aveia também fornece os seus próprios açúcares, 3 a 7 g por 100 ml consoante as marcas, resultantes da degradação do seu amido. O bolo ganha cor mais depressa. Se o seu forno aquecer muito, reduza 10 °C em vez de encurtar a cozedura.

Embalagem de bebida de aveia versão barista segurada na mão
Uma bebida de aveia versão barista: mais rica em gordura e mais estabilizada do que a versão clássica.

Cremes e pudins: a soja dá firmeza, a amêndoa cede

Um creme de pasteleiro ganha consistência sobretudo graças ao amido, mas as proteínas do leite dão-lhe corpo, aquela textura que cobre a colher. Com soja, recuperamos esse corpo. Com amêndoa ou arroz, obtemos um gel de amido mole que liberta água no frio, sobretudo depois de uma noite no frigorífico.

O nosso creme de pasteleiro vegan parte, por isso, de soja natural, com a gordura adicionada durante o arrefecimento em vez de durante a cozedura.

Dois cuidados úteis. A soja talha em contacto com um ácido: uma colher de sumo de limão ou de vinagre fá-la coalhar de propósito e permite substituir o leite fermentado numa massa com fermento em pó. Pelo contrário, num preparado de limão, é preciso cozinhar sem deixar ferver, ou optar por creme de coco, mais estável.

Os pudins e os crèmes brûlées precisam de gordura, não de água. Uma lata de coco com teor integral de gordura, ou uma mistura de soja e creme de coco, permite obter uma consistência firme. A amêndoa dá um pudim que larga água.

Creme de pasteleiro vegan liso numa taça de inox
Creme de pasteleiro com leite de soja: o corpo vem das proteínas, não apenas do amido.

Natas para bater: o que ganha volume e o que abate

Para ganharem volume, as natas precisam de gordura suficiente para formar uma rede estável, na prática 25 % no mínimo. As embalagens com a menção « para bater », à base de soja ou de coco, apresentam 24 a 31 %: são as únicas que ganham volume de forma fiável.

As natas ditas « culinárias », com 10 a 17 % de gordura, engrossam um molho e nunca ficam firmes ao bater, independentemente do tempo. O mesmo acontece com as natas de aveia, demasiado pobres em gordura.

O creme de coco em lata continua a ser a solução mais simples. Doze horas no frigorífico, retira-se a parte sólida e deixa-se a água no fundo. Fica firme ao bater, mantém a consistência no frio e o seu sabor desaparece por trás do chocolate ou do café, como na banoffee pie vegan com ganache de café ou no bolo de mousse de chocolate vegan de 3 camadas.

Para um merengue, a questão muda de campo: a aquafaba bate-se como claras em castelo, desde que se reduza um pouco e se adicione um ácido. A pavlova vegan assenta inteiramente nisso, sem uma gota de natas.

Mousse de chocolate vegan arejada numa taça grande
Mousse de chocolate batida com creme de coco: o frio faz metade do trabalho.

Manteiga vegetal: o formato decide mais do que a marca

Dois produtos muito diferentes são vendidos com o mesmo nome. O bloco, em placa ou em barra, tem 75 a 80 % de gordura. A versão de barrar em embalagem costuma descer para 55 ou 60 %, e a diferença é água.

Essa água arruína tudo o que deve ficar quebradiço: uma massa quebrada endurece em vez de ficar areada, as bolachas espalham-se, a massa folhada fica empapada. Para fazer as dobras, é preciso um bloco firme acabado de sair do frio e uma massa que tenha repousado. A margem de temperatura é mais estreita do que com manteiga, porque estas gorduras, de coco, de karité ou de colza, derretem a temperaturas mais baixas.

O bloco fica devidamente cremoso ao ser batido com açúcar, o que permite fazer um creme de manteiga vegetal batido, como o do bolo ópera vegan de 7 camadas. Na massa quebrada vegan sem glúten e sem açúcar, trabalho-o em cubos bem frios e nunca o deixo amolecer na bancada.

Queijos vegetais: só os espessos servem para sobremesas

Os queijos frescos vegetais à base de caju ou de amêndoa funcionam na pastelaria. Os que são feitos à base de óleo de coco e amido, concebidos para derreter num croque-monsieur, liquefazem-se durante a cozedura e não têm lugar num cheesecake.

Veja a lista de ingredientes: quanto maior a proporção de frutos de casca rija e menor a quantidade de água, mais firme fica o recheio. Um queijo vegetal demasiado húmido pode ser corrigido deixando-o escorrer durante uma noite num pano de queijo, adicionando 10 g de fécula por cada 500 g de preparado e cozendo a temperatura baixa, como no cheesecake de abóbora sem glúten e sem lactose.

O mínimo indispensável na minha despensa: uma embalagem de soja natural, uma de aveia barista, uma lata de creme de coco com teor integral de gordura e um bloco de manteiga vegetal. Com estes quatro, tudo o resto da prateleira passa a ser facultativo.

Guia desenvolvido com o chef Rommel Reyes. Descubra o seu trabalho no Instagram, a sua newsletter no Substack e o seu canal no YouTube.