{"id":93711,"title":"Gochujang: o que \u00e9?","modified":"2025-10-18T09:40:04+02:00","plain":"\u00c9 incr\u00edvel como um \u00fanico ingrediente pode transformar uma gastronomia inteira. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de uma modesta malagueta vermelha que revolucionou a Coreia. Sem ela n\u00e3o existiriam os famosos gochujang e gochugaru, dois elementos imprescind\u00edveis da cozinha coreana actual.\n\nOrigem e produ\u00e7\u00e3o do gochugaru\n\nA malagueta vermelha era desconhecida na Coreia at\u00e9 que, no s\u00e9culo XVII, comerciantes portugueses a levaram para o Leste Asi\u00e1tico. Assim que chegou ao pa\u00eds, espalhou-se rapidamente e tornou-se indispens\u00e1vel. Encontramo-la, por exemplo, no kalguksu.\n\nO gochugaru obt\u00e9m-se a partir de malaguetas que se deixam secar ao sol antes de serem mo\u00eddas em p\u00f3. Apesar de o processo se ter modernizado, muitas fam\u00edlias coreanas mais antigas continuam a preparar o seu gochugaru de forma artesanal.\n\ngochugaru\n\nProdu\u00e7\u00e3o de gochujang\n\nPara preparar gochujang, mistura-se o gochugaru com farinha de arroz glutinoso, p\u00f3 de soja, sal e outros ingredientes que variam de regi\u00e3o para regi\u00e3o. A pasta \u00e9 depois colocada num grande recipiente de barro, o \u00abonggi\u00bb, onde fermenta durante 2 a 3 meses. No final obt\u00e9m-se uma pasta espessa, de um vermelho-escuro profundo, que se conserva durante muito mais tempo se permanecer no onggi. O gochujang industrial \u00e9 processado de forma a travar a fermenta\u00e7\u00e3o; j\u00e1 a vers\u00e3o caseira continua a fermentar no onggi, intensificando-se ainda mais os sabores.\n\nBenef\u00edcios do gochujang e do gochugaru\n\nTanto o gochujang como o gochugaru s\u00e3o picantes, mas n\u00e3o atingem o n\u00edvel de outras malaguetas, como a temida \u00abghost\u00bb. Dependendo da marca, o gochujang situa-se entre as 1 500 e as 10 000 unidades Scoville.\n\n\u00c9 indispens\u00e1vel na c\u00e9lebre receita de kimchi jjigae.\n\nO mais curioso no gochujang e no gochugaru \u00e9 a presen\u00e7a de notas suaves, quase adocicadas. Enquanto algumas especiarias chinesas deixam uma sensa\u00e7\u00e3o anestesiante, as coreanas oferecem esse toque doce e subtil de que tanto gosto. Para quem \u00e9 mais sens\u00edvel, essa do\u00e7ura torna o picante muito mais f\u00e1cil de suportar.\n\nTal como o kimchi, gochujang e gochugaru est\u00e3o repletos de nutrientes: prote\u00ednas, vitamina B2, vitamina C e carotenos. H\u00e1 quem defenda que o picante faz bem ao cora\u00e7\u00e3o; por isso, adicionar um pouco destas maravilhas aos seus pratos pode beneficiar a sa\u00fade cardiovascular sem, necessariamente, incendiar a l\u00edngua. E o melhor? O gochujang \u00e9 muito pouco cal\u00f3rico: cerca de 30 calorias por 100 g, e como se usa em pequenas quantidades em molhos, a diferen\u00e7a \u00e9 m\u00ednima.\n\nUtiliza\u00e7\u00e3o\n\nEstas especiarias entram em praticamente todos os pratos coreanos. Sempre que vir um tom avermelhado, \u00e9 quase certo que est\u00e1 l\u00e1 gochujang, gochugaru, ou at\u00e9 os dois.\n\nEntre os pratos que recorrem a estas especiarias contam-se o sundubu jjigae (sopa de tofu sedoso), o budae jjigae (guisado do ex\u00e9rcito), o dakgalbi (frango salteado picante) e o tteokbokki (bolinhos de arroz picantes). Mas o grande protagonista \u00e9 o kimchi: sem o gochugaru, o kimchi moderno simplesmente n\u00e3o existiria!\n\nNa verdade, pode juntar gochujang e gochugaru a quase tudo para intensificar o sabor\u2026 Eu costumo us\u00e1-los em arroz frito ou nas panquecas coreanas de legumes, mas a minha aplica\u00e7\u00e3o favorita continua a ser o frango frito coreano.\n\nFrango frito coreano\n\nApesar de discreta, esta pequena malagueta vermelha revolucionou a culin\u00e1ria coreana desde que foi introduzida.\n\n\u00c0 medida que mais culturas descobrem o gochujang e o gochugaru, tudo indica que esta malagueta ainda h\u00e1-de transformar muitas outras cozinhas. Para j\u00e1, a maior parte das receitas recorre ao gochujang, n\u00e3o ao gochugaru.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93711"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94001,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93711\/revisions\/94001"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}