{"id":93679,"title":"O que \u00e9 o togarashi?","modified":"2025-10-18T09:43:22+02:00","plain":"No Pa\u00eds do Sol Nascente chama-se \u00abshichimi t\u014dgarashi\u00bb, literalmente \u00abmalagueta vermelha de sete sabores\u00bb. \u00c9 um ingrediente de refer\u00eancia na cozinha japonesa, capaz de dar vida a uma grande variedade de pratos.\n\nO que \u00e9 o togarashi?\n\nO shichimi togarashi \u00e9 uma mistura de especiarias japonesa altamente vers\u00e1til. Como o nome indica, re\u00fane sete ingredientes que lhe conferem cor e sabor inconfund\u00edveis: malagueta vermelha, raspa de tangerina (respons\u00e1vel pelo tom alaranjado), sementes de s\u00e9samo branco, sementes de papoila, sementes de c\u00e2nhamo, nori ou aonori e pimenta sansho (semelhante \u00e0 pimenta-de-Sichuan).\n\nO togarashi \u00e9 frequentemente usado como condimento para acrescentar um toque picante e uma leve croc\u00e2ncia a pratos como onigiris ou tempuras. Existem in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es desta mistura; em certas regi\u00f5es junta-se alho e gengibre, noutras raspa de yuzu, folhas de shiso, algas wakame e outros ingredientes habituais.\n\nDe onde vem o togarashi?\n\nSegundo v\u00e1rios estudiosos, o seu uso remonta ao s\u00e9culo XVI. Ter\u00e1 sido introduzido no Jap\u00e3o, numa fase inicial, pelas suas propriedades medicinais. S\u00f3 em 1625 se come\u00e7ou a vender, no antigo T\u00f3quio, uma mistura de malagueta seca como aditivo alimentar.\n\n\nFoi assim, mais ou menos, que nasceu o shichimi togarashi. A Yagenbori, empresa que o criou no formato atual, continua ativa e prepara a mistura de forma artesanal h\u00e1 400 anos. Desde ent\u00e3o, os japoneses recorrem a ela para acrescentar sabor e calor aos pratos tradicionais.\n\n\n\nQual \u00e9 o sabor do togarashi?\n\n\n\nO togarashi tem um perfil arom\u00e1tico \u00fanico: \u00e9 levemente picante, com notas c\u00edtricas e de s\u00e9samo. Combina picante, acidez e umami. A raspa de tangerina oferece a do\u00e7ura necess\u00e1ria para equilibrar subtilmente o ardor da malagueta.\n\n\n\nAs alm\u00f4ndegas de arroz coreanas, conhecidas por jumeokbap, s\u00e3o revestidas com togarashi\n\n\n\nExistem diferentes variedades de togarashi?\n\n\n\nDe facto, h\u00e1 v\u00e1rios tipos de togarashi, sendo que a designa\u00e7\u00e3o costuma refletir o n\u00famero de especiarias inclu\u00eddas. O \u201cichimi\u201d cont\u00e9m apenas malagueta em p\u00f3, ao passo que o \u201cshichimi\u201d, o mais popular, re\u00fane sete especiarias. Estes dois comp\u00f5em a base da cozinha japonesa. Ainda assim, existem subtipos que variam nos ingredientes e nas respetivas propor\u00e7\u00f5es, originando perfis de sabor e n\u00edveis de picante distintos.\n\n\nNuma vers\u00e3o, por exemplo, utilizam-se malaguetas takanotsume, bem mais picantes do que as habitualmente presentes na mistura de sete especiarias. Noutra, acrescentam-se folhas de shiso para maior frescura, yuzu ou mesmo sansho. Existe ainda um \u201cnanami togarashi\u201d, que segue a receita tradicional mas usa apenas metade da raspa de tangerina.\n\nComo utilizar o togarashi na cozinha?\n\nNa culin\u00e1ria japonesa, o togarashi funciona tanto como condimento vers\u00e1til como toque final em pratos de massa, tais como ramen, noodles soba ou udon. Resulta na perfei\u00e7\u00e3o em pratos principais de carne ou peixe; no yakitori, no gyudon e noutros pratos de carne, pode servir de cobertura ou tempero de acabamento.\n\n\u00c9 claro que o togarashi \u00e9 extremamente vers\u00e1til. Liga-se a in\u00fameros pratos, desde sopas e caldos (como a sopa miso) a acompanhamentos que pe\u00e7am um toque extra de vivacidade. Real\u00e7a saladas e salteados de legumes, conferindo personalidade sem necessariamente dominar o paladar com picante excessivo.\n\nAquele p\u00f3 vermelho na minha receita de oyakodon \u00e9 togarashi\n\nNo fim, tudo depende da sua vontade e criatividade. Experimente, ajuste \u00e0s suas prefer\u00eancias e descubra a combina\u00e7\u00e3o que mais o satisfaz.\n\nQuais s\u00e3o os benef\u00edcios do togarashi?\n\nGra\u00e7as \u00e0 riqueza dos seus ingredientes, o togarashi pode trazer v\u00e1rios benef\u00edcios ao organismo. A pimenta-de-Sichuan, como muitas especiarias pungentes, estimula a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e alivia a congest\u00e3o nasal. As sementes de s\u00e9samo s\u00e3o fonte de vitaminas e minerais. Se a mistura incluir gengibre, este pode facilitar a digest\u00e3o e atenuar dores articulares. J\u00e1 o nori, rico em iodo e ferro, contribui para o bom funcionamento da tiroide e para a produ\u00e7\u00e3o de gl\u00f3bulos vermelhos.\n\nTamb\u00e9m o encontramos no gyudon\n\nComo substituir o togarashi?\n\nExistem poucos substitutos capazes de reproduzir o picante do togarashi; o furikake \u00e9 um deles. Tamb\u00e9m leva nori e sementes de s\u00e9samo, mas inclui peixe seco mo\u00eddo, sal, miso e wasabi.\n\nApesar de partilhar algumas notas com o togarashi, o furikake \u00e9 bem menos picante, pelo que poder\u00e1 n\u00e3o ser o ideal em pratos que exijam ard\u00eancia. Nesses casos, opte antes por outras variedades de togarashi, como o nanami togarashi. Entre as especiarias do M\u00e9dio Oriente, o zaatar e o dukkah, com o seu sabor a frutos secos e sementes de s\u00e9samo, podem igualmente servir de substitutos interessantes.\n\nOnde encontrar togarashi?\n\nO togarashi ainda \u00e9 raro nos supermercados, mas encontra-o facilmente em lojas especializadas em produtos orientais. V\u00e1rias lojas online tamb\u00e9m disponibilizam a mistura e algumas das variantes referidas neste artigo.\n\nComo conservar o togarashi?\n\nGuarde o togarashi at\u00e9 tr\u00eas meses num recipiente herm\u00e9tico, protegido da luz solar e da humidade.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93679"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94038,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93679\/revisions\/94038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67650"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcwiner.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}